Silence : pour que l’altérité se produise
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« Il n’y a pas de poésie sans silence », écrit Sophia de Mello Breyner. Le silence est une suspension impossible à éluder dans l’éclosion de la parole poétique. Seul le silence est en définitive parlant, et Israël le savait bien avec sa récurrence du thème du désert : « Je la conduirai au désert et là je parlerai à son cœur. » Le silence et le désert sont le « lieu où » du bouleversement et de la reconnaissance de l’Autre et de moi-même tissé(e) par la rencontre de l’Autre : « C’est faux de dire : je pense : on devrait dire : on me pense… Je est un autre » (Rimbaud). Seul le silence est parlant !
“Without silence there is no poetry”, writes Sophia de Mello Breyner. Silence is an inevitable moment of suspension anticipating the poetic word. Only silence speaks eloquently. Israel knew this since the recurring desert theme – “I will lead her into the wilderness and there speak to her heart” –, silence and the desert coming together: a joint transformation and recognition of an Other, and of Self, woven together through my encounter with the “Other”: “It’s wrong to say: I think; one should say: someone thinks me…I is an Other” (Rimbaud). Only silence speaks.
“Não há poesia sem silêncio”, escreve Sophia de Mello Breyner. O silêncio é uma suspensão iniludível na eclosão da palavra poética. Em última análise, só o silêncio é eloquente, como bem o sabia Israel através do tema recorrente do deserto: “Conduzi-la-ei ao deserto e aí lhe falarei ao coração”. O silêncio e o deserto são o “lugar onde” da transformação e do reconhecimento do Outro e de mim próprio(a), tecido(a) pelo meu encontro com o Outro: “É falso dizer: eu penso; deveríamos dizer: alguém me pensa… Eu é um outro” (Rimbaud). Só o silêncio é eloquente!
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